Demora para procurar médico faz 96% dos casos de câncer de pênis precisarem de amputação no MA
19/03/2020 09:51 em Novidades

Um levantamento apontou que em 96% dos casos de câncer de pênis, o tratamento precisa ser a retirada do órgão por causa da demora dos pacientes em procurar um médico. Segundo dados de uma das mais conceituadas revistas científicas internacionais, Scientific Reports, publicados no final de fevereiro, os homem que precisam ter o pênis amputado demoraram cerca de 18,9 meses, mais que um ano e meio, após os primeiros sintomas para procurar um hospital.

Ao G1, o médico oncologista Antonio Alencar, explicou que a condição sócio-econômica da região é um dos fatores que têm reflexo nesses índices. "A ocorrência do câncer de pênis está relacionada com o baixo nível sócio-econômico e condições de educação, pois os hábitos de higiene incorretos da genitália masculina podem aumentar o risco dessa doença e, infelizmente, o nosso estado possui um IDH baixo", explicou.

 

"A promiscuidade sexual e a não utilização de preservativo também aumenta esse risco, uma vez que parte dos cânceres de pênis estão relacionados com a infecção pelo HPV, sendo que na casuística do Maranhão, a proporção de tumores relacionados ao HPV é maior que a média mundial", completou.

 

Nos Estados Unidos e na Europa, a incidência de câncer de pênis varia entre 0,1 e 1,0 caso por 100 mil habitantes. No Maranhão, ela é de 6,1 casos por 100 mil habitantes. Os primeiros sintomas provocam mudanças na cor e textura da pele, assim como surgimento de nódulos ou feridas que demoram muito tempo para desaparecer.

 

"O ideal é que ao aparecimento de qualquer nódulo, verruga, mancha ou ferida no pênis o indivíduo busque o mais precoce possível a assistência médica, pois a detecção do tumor em estágios iniciais pode proporcionar maiores chances de cura", explicou o médico do Hospital São Domingos.

 

Amputação é a única solução?

 

Quando diagnosticado em estágio inicial, o câncer de pênis tem alta taxa de cura. "Quanto menor e mais inicial a lesão tumoral for identificada, não só a chance de cura é maior, mas menos agressivo será o tratamento. Com o avanço das técnicas cirúrgicas, os procedimentos que buscam preservar o pênis e suas funções sexuais e urinárias tem sido cada vez mais empregados, desde que a doença seja diagnosticada em estágios iniciais", explica o doutor Antonio Alencar.

 

"Portanto, felizmente, nem todo paciente precisará ter o pênis amputado e nem todo paciente necessitará de quimioterapia ou radioterapia", ressalta o médico.

 

 

Sobre a pesquisa

 

A pesquisa foi realizada por 11 pesquisadores, destes, seis são do Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA). Foram 116 entrevistas realizadas no período de julho de 2016 a outubro de 2018 em pacientes com câncer de pênis atendidos no Hospital Universitário da UFMA e no Hospital Aldenora Bello. Desses pacientes, 75% são do interior do estado e 25% de São Luís.

A partir desse material, a pesquisa traçou um perfil epidemiológico mais completo, uma vez que puderam avaliar melhor os fatores de risco, comportamento e condições socioeconômicas desses pacientes.

Gyl Eanes Barros Silva, um dos autores dessa pesquisa, diz que pacientes com HPV — vírus que infecta a pele e as mucosas, podendo causar verrugas ou lesões percursoras de câncer — chegam a 90% e que os números de tumores associados típicos dessa doença sexualmente transmissível, também são altos atingindo 62%.

 

Maranhão com mais casos de 2004-2014

 

 

De acordo com uma pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA), o Maranhão tem os maiores registros de câncer de pênis no mundo. Os dados são baseados em casos dos hospitais Universitário, Aldenora Belo e Geral Tarquinio Lopes Filho, tendo como referência os registros de 2004 a 2014. Foram detectados 392 casos da doença, sendo que mais de 90% tem relação direta com o HPV.

Assim, considerando os números da pesquisa, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) apontou o Maranhão como o primeiro da lista nos casos da doença, com média de 6.1 por cada 100 mil habitantes.

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